15
Abr 11
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Queixa das almas jovens censuradas
 
Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola
 
Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade
 
Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência
 
Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro
 
Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós
 
Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo
 
Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro
 
Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco
 
Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura
 
Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante
 
Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino
 
Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte
 
                   Natália Correia, in "O Nosso Amargo Cancioneiro"

 

 

Escolhi este poema porque faz me lembrar as crianças que nos nossos dias, são submetidas ao trabalho, proibidas de brincar e muitas delas são retiradas da própria família, esquecendo-se que estas têm imaginação, pensamentos, sentimentos, emoções..  As crianças, são o futuro dos países, do mundo, e é uma pena que muitos adultos não tenham a sensibilidade para poder compreendê-las, ajudá-las, ampará-las, prepara-las.. Se um adulto tivesse pelo menos a sensibilidade, a criatividade, o sonho das crianças, o nosso mundo poderia ser melhor. 

 

publicado por nunomedeirossilva às 17:29

25
Jan 11

 

 

 

O quadro universalmente conhecido como “Las Meninas”, embora o título original fosse “A família do rei”, é um dos quadros que mais tinta fez correr na história da arte. Houve pintores (Picasso, por exemplo) que não cessaram de o reproduzir, como se quisessem extrair dele um segredo qualquer que teimasse em permanecer velado. É uma obra prima que tende, obstinadamente, - parafraseando Balzac - a permanecer desconhecida. É um quadro que faz falar, que faz escrever, ao mesmo tempo que se mantém num silêncio irredutível.

 

publicado por nunomedeirossilva às 17:19

 

 

publicado por nunomedeirossilva às 17:09

 

 

 

Um dia aparentemente comum na vida de um grupo de adolescentes, todos estudantes de uma escola secundária de Portland, no estado de Oregon, costa oeste dos Estados Unidos. Enquanto a maior parte está engajada em atividades cotidianas, dois alunos esperam, em casa, a chegada de uma metralhadora semi-automática, com altíssima precisão e poder de fogo. Munidos de um arsenal de outras armas que vinham colecionando, os dois partem para a escola, onde serão protagonistas de uma grande tragédia.Inspirado no Massacre de Columbine.

Mostra, ainda, o cotidiano dos jovens da escola, as práticas de bullying dissimuladas (vestiário feminino, onde as meninas "cochichavam" que Michelle era estranha, quando ela saiu gritaram "looser); a bolinha de papel jogada em um aluno do fundo da sala; o revanchismo dos agressores com o grupo dos "atletas imbecis"; a panelinha de Brittany, Jordan e Nicole etc; a omissão da diretoria em ouvir os agressores, que eram vítimas de bullying etc. A escola era um caldeirão de conflitos.

A narrativa, as cenas vistas várias vezes de ângulos diferentes, as vidas entrelaçadas, o caos do ataque, são colocados de uma forma singular pelo diretor.

publicado por nunomedeirossilva às 17:08

15
Dez 10

 

 

Um vendedor de seguros que descobre que toda a sua vida é realmente um programa de TV.

Um filme impressionante.

 

 

publicado por nunomedeirossilva às 19:12

14
Dez 10

 

 

Feliz Natal para todos e um Prospero Ano Novo

 

publicado por nunomedeirossilva às 15:43

 

Começaram por se chamar "Delirium Tremens"(1) e "Beijinhos e Parabéns". O primeiro ensaio a sério foi no dia 22 de Dezembro de 78 na velhinha senófila. A estreia ao vivo ocorreu no dia 13 de Janeiro de 1979, já com o nome Xutos e Pontapés Rock’n’Roll Band, aquando da comemoração dos "25 anos do Rock and Roll" na sala dos Alunos de Apolo. Tiveram direito a seis minutos para tocar quatro músicas.  Foi também o concerto de despedida dos Faíscas.

 

Em Fevereiro de 1987 é lançado o álbum "Circo de Feras",  com temas como "Contentores", "Circo de Feras", "Na América"  e "Não Sou o Único", que obtém um estrondoso sucesso.

publicado por nunomedeirossilva às 15:35

09
Nov 10

Purgatório


Conhecem o "teorema do macaco infinito"? A ideia pertence a T.H. Huxley, que no século XIX afirmava que o macaco seria capaz de escrever uma peça de Shakespeare. Bastava, para tal, que dispuséssemos de macacos infinitos aos quais pudéssemos confiar máquinas de escrever infinitas. Um dia eles acabariam por medrar qualquer coisa de sublime.

Andrew Keen regressa ao teorema de Huxley em livro que deu polémica nos EUA e foi agora editado entre nós pela Guerra & Paz. Intitula-se "O Culto do Amadorismo". O título, como se costuma dizer, é todo um programa: entregue à multidão ignara - à geração YouTube, à geração Blogspot, à geração Wikipédia; no fundo, aos "macacos infinitos" -, a Internet está a arrasar com o mérito intelectual e artístico; a promover a ignorância e a boçalidade em larga escala; e a cultivar um narcisismo repulsivo em que milhões de alienados usam a rede para exporem os seus delírios.

O problema, no fundo, está na ausência de filtro, capaz de separar a qualidade da mediocridade. Num jornal clássico, existe um editor; na televisão, existe um programador; nos meios de comunicação, existem profissionais que julgam e seleccionam. A Internet é uma selva epistemológica e moral que, acredita Keen, só será espaço frequentável quando os mecanismos de julgamento e selecção tradicionais forem exercidos por profissionais cibernéticos.

Entendo o argumento de Keen. Mas é difícil concordar com o tom alarmista do autor. A Internet é um caos? Sem dúvida. Mas por cada vídeo idiota no YouTube, existem preciosidades musicais, históricas ou até filosóficas que seriam impensáveis há uma década. A melhor forma de enfrentar o "culto do amador" está em procurar, nas famílias ou nos amigos, nos livros ou nas escolas, o profissional em nós. Porque somos nós o verdadeiro "filtro" cibernético; os editores pessoais da informação que procuramos e recusamos; os programadores privados das imagens que nos inspiram ou repugnam.

A Internet mata a cultura tradicional? Pelo contrário: a Internet exige-a como nunca.


João Pereira Coutinho, in Revista Única, Expresso 28/Junho/2010

publicado por nunomedeirossilva às 16:59

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